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Alma de Hygge

O Hygge é um estilo de vida dinamarquês que define uma chave para a felicidade. Este blog é o culminar dessa filosofia com os fatores que para mim contribuem para ela. Ou seja, é a minha Alma Hygge!

Alma de Hygge

O Hygge é um estilo de vida dinamarquês que define uma chave para a felicidade. Este blog é o culminar dessa filosofia com os fatores que para mim contribuem para ela. Ou seja, é a minha Alma Hygge!

Entrevista à Psicóloga Clínica Diana Castro - Depressão e Ansiedade

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Meus queridos seguidores, à pouco tempo deixei-vos um testemunho de uma jovem que sofre de Ansiedade. Hoje trago-vos uma entrevista que aborda a Ansiedade e a Depressão. Decidi entrevistar a Psicóloga Diana Castro e foi com gosto que a mesma, aceitou ser entrevistada para este meu blog Alma de Hygge, e desde já lhe agradeço publicamente!

Há quatro anos que tem vindo apaixonar-se cada vez mais  pela profissão que escolheu, há quatro anos que exerce Psicologia Clínica. A Dra. Diana confessou ao Alma de Hygge que sempre foi "muito indecisa", mas que quando chegou àquele "derradeiro momento de decidir o que queria ser, não tive duvidas nenhumas". A psicóloga referiu também que "a Psicologia foi algo inexplicável, senti que se fosse para a universidade tinha de ser para Psicologia, caso contrário não valia a pena. Era o que me fascinava, queria aprender mais sobre o comportamento humano, a mente, as emoções, mas principalmente queria ajudar os outros, trabalhar com crianças e tentar fazer das pessoas um pouco mais felizes. Hoje posso dizer que foi a melhor decisão da minha vida!"
A Dra. Diana Castro dá consultas em Barcelos e em vários locais do concelho de Vila Nova de Famalicão. É possível  marcar consultas com a Psicóloga nas Clínicas Médicas Clieste (Barcelos e Vermoim – Famalicão), na Clínica Dentária Brufdente (Brufe – Famalicão) e no GAPE- Gabinete de Apoio Psicológico e Escolar (Antas – Famalicão). A Dra. ainda colabora com a Associação Espaço em Movimento (Portela Sta. Marinha – Famalicão), na qual dá consultas na associação e também vai a algumas escolas, como por exemplo, à Escola EB 2,3 Dr. Nuno Simões, em Calendário.
A psicóloga Diana adiantou ao blog que neste momento, no GAPE está também a colaborar com várias escolas do concelho de Famalicão e a implementar um programa de avaliação/apoio ao pré-escolar.

É notável que a depressão e a ansiedade têm sido cada vez mais um marco na sociedade. São muitos os casos que recorrem a si com estes flagelos?
Sim, é verdade. Infelizmente diariamente surgem-me cada vez mais casos de ansiedade e depressão.

Ao fim e ao cabo o que é a depressão e a ansiedade?
A depressão é a perturbação psicológica que afeta mais pessoas em Portugal. É uma perturbação de humor e deve-se a experiências que foram traumáticas no passado e das quais ainda não nos conseguimos libertar.
Grande parte das pessoas pensa que depressão é tristeza, mas é muito mais do que isso, a pessoa deprimida fica sem vontade de viver e sofre muito.
Eu dou sempre o exemplo do balão, enchemos o balão, enchemos, enchemos, até que quando está muito cheio o que acontece? Rebenta! E a depressão é isto, é um acumular de acontecimentos traumáticos e de dor que quando atinge o deu limite cria a chamada: Depressão.
A ansiedade é uma reação normal do ser humano mas quando é excessiva estamos perante um distúrbio emocional, ou seja, de uma Perturbação da Ansiedade.
As pessoas que sofrem desta problemática sentem uma preocupação e medo extremos em situações simples do dia-a-dia, para além de vários sintomas físicos.

São muito amplas as causas da depressão? Mas quais são as principais?
A solidão, acontecimentos traumáticos (como por exemplo, perdas, divórcio, abusos sexuais, violência doméstica, bullying), stress, doenças graves, desemprego, problemas financeiros, problemas conjugais ou familiares e fatores genéticos.

Quais são os fatores de risco?
O baixo nível socioeconómico, o desemprego, o stress, ser mulher ou idoso, ter um historial de depressão na família, doenças crónicas, a falta de apoio da família ou de amigos, perda de algum ente querido e traumas.

Como uma pessoa pode saber que se encontra com uma depressão? Isolamento e falta de ânimo são os sintomas mais comuns?
Não, os sintomas mais comuns são humor deprimido, apatia, sentimentos de culpa, baixa autoestima, fadiga ou falta de energia, insónias, dificuldades em estar concentrado, perda de apetite em fazer atividades que anteriormente lhe davam prazer, falta ou excesso de apetite (daí a grande perda ou aumento de peso), diminuição do desejo sexual, irritabilidade e ideias recorrentes de morte ou suicídio.

É possível prevenir uma depressão? Como?
Sim. Devemos praticar desporto, dormir 8 horas por noite, ter uma alimentação saudável, passear, estar com as pessoas que mais gostamos, tentar afastar os pensamentos negativos da nossa cabeça, ter uma boa autoestima, ou seja, aceitar-se tal como é e ser otimista.

Situações de bullying, principalmente em crianças, provocam depressão?
Claro que sim. Nas crianças vítimas de bullying é comum a baixa autoestima, as dificuldades em se relacionar com os outros e os pensamentos suicidas. Mesmo a longo prazo, o bullying tem consequências no desenvolvimento da criança, tornando-a num adulto inseguro, com baixa autoestima e com falta de autoconfiança.

Quando o depressivo não quer ser ajudado, o que é aconselhado a fazer?
Nesse caso, as pessoas que o rodeiam devem procurar conhecer melhor a doença para o poderem ajudar, devem conversar com ele sobre a depressão, explicar o que é e o porquê de precisar de tratamento. Podem oferecer-se para marcar a consulta ou para o acompanhar, mostrando assim que o apoiam e que não está sozinho.
Às vezes é preciso algum tempo para perceber que precisamos de ajuda, os outros têm de ter paciência, mostrar que o compreendem e respeitar o seu tempo.

O que podemos fazer para ajudar uma pessoa com depressão?
Devemos ter paciência, ser ouvinte, não julgar nem criticar, mostrar apoio e transmitir-lhe calma e estabilidade. Algumas estratégias passam por tentar levar essa pessoa a passear, a fazer atividades que gosta e a praticar exercício físico.

Quais são as consequências que a depressão pode causar na pessoa?
A depressão que não é tratada pode piorar, os pensamentos suicidas aumentam e a probabilidade de cometer o suicídio é maior.

Como tratar a depressão?
O tratamento depende de pessoa para pessoa, mas é muito importante a motivação e a força de vontade. O tratamento mais eficaz são a psicoterapia e a medicação (em conjunto).
A psicoterapia é a mais importante no tratamento da depressão e é a que previne eventuais recaídas. Numa fase inicial a medicação melhora os sintomas, mas é através da psicoterapia que se adquire as ferramentas necessárias: autoestima, resiliência, segurança e otimismo.

Quem sofre de depressão uma vez, ficará mais vulnerável? Será sempre um alvo de depressões?
Sim, é provável, mas cada caso é um caso e depende de vários fatores, sendo um deles a resiliência, ou seja, a capacidade que cada um de nós tem em lidar com os problemas e com o stress.
A depressão poderá até ser crónica, por isso é que é extremamente importante cumprir todo o tratamento e não o interromper de repente, pois assim o risco de voltar a deprimir é elevado e quantas mais recaídas a pessoa tem, mais fragilizada e vulnerável pode ficar.

A ansiedade, os ataques de pânico, o medo e as fobias estão interligados?
Sim, todas fazem parte das Perturbações de Ansiedade. Estas perturbações caracterizam-se por um medo e uma ansiedade exagerada, com um grande impacto no nosso dia-a-dia.

Quando nos referimos a ataques de pânico referimo-nos também a ataques de ansiedade? Como diagnosticá-los?
Sim, ambos são a mesma coisa. Estamos perante um ataque de pânico quando sentimos um medo exagero, intenso e sem razão aparente, acompanhado por vários sintomas físicos.

Quais são as causas e os sintomas? Inclusive esses físicos a que se referiu.
As causas da ansiedade podem ser várias, por exemplo devido a traumas do passado, doenças respiratórias, drogas, stress ou questões genéticas, ou seja, se os nossos pais têm uma perturbação da ansiedade, nós estamos mais predispostos a ter também.
Os principais sintomas são o medo, a dificuldade em respirar, suores, dores no peito, formigueiros, batimentos cardíacos acelerados, tonturas, tremores e sensação de morte.

Qualquer pessoa está sujeita a ter ansiedade. Mas quais são aquelas que estão mais predispostas a isso?
A ansiedade é normal no ser humano, contudo em algumas pessoas pode ser exagerada. As pessoas mais inseguras, mais medrosas e mais pessimistas são aquelas que estão mais predispostas, tal como as que lidam com mais stress ou as que passaram por grandes choques, fracasso ou conflitos.
 
O que fazer quando há indícios de uma pessoa com este transtorno?
O que podemos fazer é aconselhar essa pessoa a procurar ajuda de um profissional, de forma a aprender a controlar a ansiedade.

Como é possível controlar a ansiedade?
A melhor técnica é através da psicoterapia e a prática de exercício físico. Na psicoterapia procuramos aprender a reconhecer os sintomas e a lidar com eles. São muito importantes as técnicas de relaxamento e de respiração.

Falou novamente na psicoterapia, como o tratamento mais eficaz para tratar casos de ansiedade e de depressão. Em que consiste essa técnica, para além do que disse? É invasiva?

Não, nada disso. A psicoterapia é uma relação profissional entre um psicólogo e um cliente, tendo por base princípios e técnicas da psicologia. Juntamente com o paciente definimos objetivos e planos de tratamento, abordamos os sentimentos, os pensamentos e os comportamentos. O objetivo é ajudar o paciente a assumir o controlo da vida e a saber responder a situações desafiadoras de forma ajustada.
É uma técnica natural, em que a pessoa aprende a lidar com os seus problemas, a conhecer-se melhor e a desenvolver as capacidades emocionais.
Estas sessões duram 50 minutos a uma hora e a frequência depende das necessidades e dos objetivos de cada pessoa. 

A ansiedade é crónica?

A ansiedade é um mecanismo de proteção que precisamos, pois protege-nos e prepara-nos para situações difíceis, o problema está quando ela deixa de ser uma resposta natural do corpo humano e começa a aparecer sem razão, de forma exagerada e com bastante frequência, aí falamos de uma Perturbação.
Algumas perturbações da ansiedade são reversíveis, mas no geral a ansiedade é crónica, por exemplo, a Perturbação da Ansiedade Generalizada. Quando falamos em tratamento para a ansiedade, o correto é falarmos em estratégias e técnicas que nos ajudam a gerir e a controlar a ansiedade, não em cura. 

O stress, o medo e a ansiedade interferem com o nosso estado emocional, mas também com a nossa saúde física correto?  Com o sistema gastrointestinal por exemplo...
Sim, é verdade. O nosso cérebro esta ligado ao sistema gastrointestinal e assim quando estamos perante o stress ou a depressão é normal a inflamação no intestino. A pessoa ansiosa ou em stress fica mais consciente dos sintomas desconfortáveis associados à doença e também fica mais sensível à dor abdominal.

Os medicamentos e o apoio psicológico são os mais comuns no tratamento destas doenças. Mas é possível alcançar bons resultados sem medicamentos?
Claro que sim, só é preciso uma coisa importante: muita força de vontade! Tudo é possível com força de vontade.

É verdade que fazer voluntariado promove felicidade e por sua vez reduz os efeitos da depressão e da ansiedade? Pode ser um escape a estes transtornos?
Podemos dizer que sim. O voluntariado promove a interação social, desenvolve capacidades, aumenta a autoconfiança e a autoestima. Mas, o voluntariado é como trabalhar, no sentido em que pode haver stress na mesma, aqui o mais importante é ocupar o tempo livre.
Se a causa da depressão não estiver relacionada com o emprego, ou seja, se tivermos um emprego estável e tranquilo, devemos trabalhar normalmente, passear, fazer desporto e fazer atividades que gostamos, de forma a ocuparmos o nosso tempo livre e não haver tempo para pensamentos negativos.

Qual o caso que a marcou mais desde que exerce a sua profissão?
Tenho vários que me marcaram, mas os que me marcaram mais foram os casos de abusos sexuais entre irmãos e as vítimas de violência doméstica institucionalizadas em Casa de Abrigo.
Posso dizer que a violação é algo que me marca muito, devido ao grande trauma e sofrimento da vítima, aquilo muda-a para sempre. Os abusos entre irmãos infelizmente também é bastante frequente e são vários os casos que tive de irmãos que abusaram, ou seja, violaram as irmãs mais novas, tudo por falta de informação. Estes traumas são enormes, tanto para a vítima como para o agressor.
Quanto às vítimas de violência domestica, é algo que sempre me sensibilizou como mulher e era difícil ver o sofrimento destas mulheres, com os filhos ao colo, a terem de se esconder para o agressor não as encontrar.
Infelizmente é uma realidade que muitas pessoas desconhecem.

Acredito que seja preciso ter uma estrutura emocional forte para lidar com as vítimas. Consegue retratar em poucas palavras, os dias de uma vítima numa casa de abrigo?

Sim, acabamos por nos habituar. A integração é muito complicada, vão assustadas e fragilizadas, juntamente com os filhos. Existem muitas casas espalhas pelo país, preparadas para dar todo o suporte e apoiar em tudo o que precisam, nunca estão sozinhas. Os primeiros dias são complicados e perigosos, ficam sem meios de comunicação e recolhidas em casa. Depois aos poucos vamos reconstruindo o seu projeto de vida (trabalho, escola, casa).

Além dos transtornos que foram abordados nesta entrevista. Quais outros motivos frequentes que levam os seus pacientes recorrerem a si?

As Perturbações Obsessivo-Compulsivas, as Fobias, a Perturbação de Pânico, a baixa autoestima, a Hiperatividade com Défice de Atenção, a Dislexia, o Autismo, as dificuldades no desenvolvimento da aprendizagem e os problemas comportamentais (agressividade e desobediência).

Ao fim de cada dia sente-se feliz por ajudar os outros? É gratificante este trabalho para si?
Claro que sim. É muito gratificante para mim poder ajudar outras pessoas. É inexplicável a sensação de felicidade que sinto quando vejo que conseguiram ultrapassar os seus problemas e que estão bem. Tudo isso é o que me dá força todos os dias para dar o meu melhor e me dedicar ao máximo.

 

transtorno-bipolar.jpgA pensar na felicidade e bem-estar, que tanto transmito neste blog, quero que com esta entrevista não deixem entrar nas vossas vidas más energias e maus pensamentos! Façam tudo o que vos faz felizes a cada dia que passa, não contem os dias e vivam-nos! 
 Espero que tenham gostado, que tenham ficado mais esclarecidos e alertados sobre estas doenças da moda, que infelizmente são cada vez mais recorrentes.

Certamente, vão gostar de conhecer melhor o trabalho que tem sido feito pela Dra. Diana Castro:

SITE: www.dianacastro.pt
FACEBOOK: @psicologadianacastro

 

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